Pix no exterior ainda depende de regras para câmbio e liquidação.

BC estuda integração futura do Pix a sistemas estrangeiros, mas ainda não definiu países, tarifas, câmbio e regras operacionais.

Ilustração de pagamentos digitais conectando o Brasil a outros países

A possibilidade de usar o Pix para pagar ou enviar dinheiro ao exterior continua em fase de estudo pelo Banco Central (BC), sem lançamento, teste público ou acordo anunciado com países, redes de pagamento ou hubs multilaterais. Para que a ferramenta funcione além das fronteiras, ainda será necessário definir desde a conversão de moedas até a liquidação entre instituições de diferentes jurisdições.

A conexão internacional poderia reduzir etapas em remessas, compras fora do país e pagamentos entre empresas, ao aproximar sistemas de pagamentos instantâneos. Mas uma transferência em reais para um recebedor no exterior não seria apenas uma extensão do Pix usado no Brasil: a operação exigiria uma instituição habilitada a realizar o câmbio, informar custos ao cliente e concluir o repasse na moeda e na infraestrutura do destino.

Do câmbio ao repasse final

As regras atuais do Pix não estabelecem cotação, tarifa, limite próprio ou prazo de liquidação para uma operação internacional. Também não há definição pública sobre como seriam tratados cancelamentos, contestações, bloqueios preventivos e atendimento ao consumidor quando bancos, reguladores e moedas de mais de um país estiverem envolvidos. A regulamentação cambial já permite serviços digitais de pagamento ou transferência internacional, conhecidos como eFX, mas isso não representa uma interoperabilidade internacional nativa do Pix.

Projetos internacionais, como o Nexus, do Banco de Compensações Internacionais, discutem formas de ligar sistemas domésticos de pagamentos instantâneos e preveem participação de provedores de câmbio nos corredores entre países. O Brasil, porém, não aparece entre os participantes da colaboração que elaborou o desenho técnico divulgado em 2024. No mercado interno, recursos como o Pix Automático já têm regras próprias para cobranças recorrentes, mas não se aplicam a pagamentos internacionais. Medidas de prevenção a fraudes e de devolução existentes no Pix doméstico também precisariam de adaptação regulatória e operacional antes de uma eventual expansão transfronteiriça.

Fonte: Bcb.gov.br

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