Papão campeão com méritos

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC é merecidamente o novo campeão estadual. Teve a melhor campanha (20 pontos) e encarou a decisão com respeito, entrega e intensidade. Vencedor do primeiro confronto por 2 a 1, carimbou a conquista com um empate em 0 a 0 na segunda partida, ontem à noite, no estádio Jornalista Edgar Proença.

Há no futebol fatores que não entram em campo, mas são tão decisivos quanto um chute em direção ao gol. O PSC dedicou a semana aos treinos, cuidando dos detalhes e corrigindo falhas. Chegou à final com o mesmo espírito que mostrou ao longo do campeonato.

Mescla de atletas experientes com garotos da base – cinco deles foram utilizados ontem –, o time de Júnior Rocha primou pela simplicidade e a eficiência. O título foi encaminhado na semana passada, com o triunfo por 2 a 1, que poderia ter sido mais amplo.

Com a vantagem do empate, o time entrou no embate decisivo com a mesma distribuição em campo, marcando e bloqueando o meio-campo azulino, travando os lançamentos para Alef Manga e Yago Pikachu.

Pedro Henrique, Caio Mello, Marcinho e os laterais Edilson e Bonifazi se movimentavam o tempo inteiro para preencher espaços defensivos e ativar o contra-ataque quando tinham a posse da bola.

A bola ficou mais com o Remo, mas a utilização era ineficiente. Em contragolpe rápido, aos 9 minutos, Ítalo teve boa chance e finalizou no gol. Marcelo Rangel defendeu bem. Foi a primeira pontada reativa do PSC, que se repetiria ao longo de toda a partida.

O Remo só mostrou apetite ofensivo aos 27′. Vítor Bueno localizou Pikachu deslocado para a esquerda e lançou na medida. No caminho, Picco ainda desviou. O camisa 22 recebeu e mandou à direita da trave. Excelente oportunidade perdida em uma jogada que o Remo não conseguiu mais fazer.

Pikachu seguiu se movimentando pelo ataque, como é de seu estilo, mas o time não prestava atenção nisso, o que tornou ainda mais pobre o repertório azulino no clássico. Com a necessidade de fazer gol, o Remo abusava da lentidão, pois Patrick de Paula e Vítor Bueno não aceleravam o jogo.

Enquanto isso, o Papão esperava, sem pressa. Aos 30’, Thaylon caiu pelo lado esquerdo e chutou cruzado. A bola passou tirando tinta da trave de Marcelo Rangel. Em seguida, Caio Mello arriscou da entrada da área e Rangel conseguiu desviar para escanteio.

Nos minutos finais da etapa inicial, outra chegada forte do Leão: o zagueiro Kayky Almeida escorou um escanteio com cabeceio de cima para baixo. Gabriel, atento, espalmou pela linha de fundo.

Apesar da falta de vibração da equipe, a torcida azulina reacendeu as esperanças para o 2º tempo. Sávio substituiu Cufré, mas o jogo continuou amarrado, do jeito que interessava ao PSC.

O lance mais agudo do ataque ocorreu aos 8 minutos. Alef Manga entrou na área e chutou. Gabriel deu rebote e Pikachu aproveitou para tocar para as redes. Apesar da vibração nas arquibancadas, o gol foi anulado. Manga estava impedido na origem da jogada.

Com mudanças óbvias no ataque – Carlinhos, Diego Hernández e Nico Ferreira –, o Leão tentou impor pressão, mas aí já era tarde. O Papão controlava e marcava em cima, conseguindo sustentar o empate sem gols e garantir o título estadual tão desejado.

Triunfo merecido de um time focado em ganhar o campeonato sobre um adversário que menosprezou a disputa e se mostrou inferior na decisão.

Um campeonato menosprezado pelo Remo

O Parazão foi menosprezado, tratado como coisa menor, desimportante e até incômoda. O técnico Juan Carlos Osório não ligava a mínima para o torneio, sentimento que se estendeu aos jogadores, e certamente passou por setores da diretoria. Sinal óbvio disso é que na final o Remo foi comandado pelo auxiliar, com o técnico sentado na cabine.

A classificação para a final ocorreu a duras penas, com uma virada dramática sobre o Cametá, mas os erros se escancaram na partida inicial da decisão quando Osório escalou um time frágil na defesa e levou um massacre. Por pouco, o PSC não liquidou a fatura ali mesmo.

Ontem, apesar de menos desconjuntado do que no primeiro jogo, o Remo não tinha estratégia definida e poucas vezes incomodou a zaga do PSC. Perdeu novamente a batalha no meio-campo e não conseguiu o bloqueio defensivo do adversário. Lento e sem criatividade, o time passou a etapa inicial fazendo o jogo errado.

Melhorou no 2º tempo, mas não o suficiente para reverter a situação. Os erros coletivos se juntaram às deficiências físicas. O time parecia cansado, sem forças. Nem o talento individual prevaleceu desta vez.   

Quando torcer também é responsabilidade

“Essa mídia lavajatista (e agora bolsomasterista) não faz jornalismo, escreve conto. Essa mídia me lembra o fotógrafo rubro-negro do Diário de Pernambuco que foi cobrir o Sport e Santa e perdeu a foto do gol porque estava comemorando o gol pulando de braços pra cima. A diferença é que essa história de torcedor doente é engraçada. Bolsomasterismo não é engraçado, é irresponsável, é torcer contra o país”.

Kleber Mendonça Filho, cidadão pernambucano e diretor de “O Agente Secreto”. 

Fonte: Blog do Gerson Nogueira / (Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 09)

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