Enfim, um goleador que funciona

resultado ruim diante do Monte Roraima, domingo, no Baenão, não permitiu que o torcedor valorizasse algumas virtudes mostradas pelo Remo.

O tropeço toma a frente de qualquer análise, impedindo uma avaliação mais realista e equilibrada. Apesar de tudo, a equipe mostrou iniciativa, esforço na busca pelo resultado e pelo menos três destaques individuais.

O Remo envolveu o adversário nos primeiros minutos, antes que o temporal estragasse a partida, a partir dos 20 minutos. Três oportunidades foram criadas com jogadas pelos lados, com Pikachu, Jajá e Poveda. A falta de apuro nas finalizações cobrou um preço alto depois, quando a bola praticamente não rolava mais.

Mas, mesmo com a mudança de características da partida, obrigando o Remo e o Monte Roraima a abusarem dos chutes em balãozinho como forma de se lançar ao ataque, jogadores como Zé Welison, Patrick, Zé Ricardo e Pikachu ajudaram a manter pressão sobre a defensiva roraimense.

Depois do intervalo, com a diminuição da chuva, mas com o campo ainda encharcado, o Remo partiu de maneira mais resoluta em busca do gol, missão conduzida por Pikachu no lado direito e investindo pelo centro do ataque. Foi assim que surgiu a penalidade, desperdiçada por Poveda com a brilhante participação do goleiro André Júnior.

Quando Léo Condé fez a troca no comando do ataque, o torcedor passou a ver em ação um centroavante diferenciado. Poveda é bom jogador, mas é um tipo de centroavante que precisa de um time que explore o jogo aéreo e pressione sempre pelas extremas. Taliari tem outro estilo.

Com ele, a movimentação precisa ser intensa, perto e dentro da área. O resto fica por conta de sua habilidade em aproveitar as oportunidades, por mais escassas que sejam. Rápido e hábil, balançou as redes aos 25 minutos, aproveitando um rebote na pequena área. Fez daquele espaço mínimo um caminho certeiro em direção às redes.   

Foi o terceiro gol em dois jogos e meio pelo Remo. Na estreia, contra o Flamengo no Maracanã, não deu para mostrar nada. Contra o Bahia foi protagonista, marcando duas vezes em jogadas de fina sintonia com Vítor Bueno. Domingo, mesmo que por alguns minutos, reafirmou a competência como goleador, um alento para um time em busca de afinação.

Outro destaque no Leão foi o estreante David Braga, meia-armador de estilo técnico, vindo do Athletic. Entrou no 2º tempo, ajudou a lustrar o passe e tornou o time mais envolvente, mesmo com o gramado prejudicado pela chuva. Tem qualidades para substituir Bueno.

Por fim, é preciso falar sobre Tchamba, que iniciou a partida atuando pela esquerda, mas que acabou no centro da zaga, onde é especialista. Regular e intenso, participou do lance do gol de Taliari e não teve interferência na desinteligência que levou ao gol dos visitantes. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Velho Gato: legado de um entusiasta do futebol

Personagem da cena esportiva de Baião desde os tempos do antigo Campo da Aviação, no final dos anos 60, Velho Gato parecia imune à passagem do tempo. Comandou os times de pelada do bairro da Encanação e foi o principal baluarte do Norte América, time que surgiu marcado pelas cores do Peñarol, o amarelo e o preto, em listras verticais.

Getúlio de Souza Paz, carinhosamente apelidado de Velho Gato desde rapazola, era mais do que um dirigente de clube. Era um entusiasta, um incentivador. Morava perto da velha Gruta numa casa cercada de árvores frutíferas, como quase todas as casas de Baião naquele tempo.

Menino ainda, eu vendia na rua os doces preparados por minha avó Alice e interrompia a tarefa para ir até os campinhos ver jogos e treinos dos times de Velho Gato, que era de um grupo mais maduro do que o meu. Ficava atento às resenhas, pois Getúlio também era muito gaiato.

Com espírito agregador, ajudou o Norte América a se fortalecer perante os tradicionais Baião Atlético Clube e Brasília Esporte Clube. Através dele, muitos jovens se engajaram na cena esportiva. Nos últimos anos, continuava assim, inclusivo e responsável por dar asas aos sonhos de muita gente, mesmo alquebrado pela idade e os problemas de saúde.

O legado de dedicação ao esporte e à cultura popular – participava de blocos de mascarados no Carnaval – fazem de Velho Gato uma figura ímpar, que se confunde com a própria história da cidade. Perdemos todos com sua partida. O registro de sua passagem é questão de justiça.

Escolha de Danilo aumenta descrença na Seleção

É público e notório que Carlo Ancelotti tem pouco tempo para organizar as coisas e montar um time competitivo para a Copa do Mundo. Sabe-se também que ele, ao ser contratado para a missão, conhecia pouco do futebol que era praticado no Brasil. Conhece bem os jogadores que estiveram sob seu comando em times europeus.

Quanto à cena doméstica, Ancelotti depende dos pitacos de seus auxiliares. Um dos mais destacados é o ex-zagueiro Juan, de íntima conexão com o Flamengo, onde jogou por muitos anos. Virou o Grilo Falante do treinador e, a partir daí, tem indicado vários jogadores rubro-negros, entre os quais Danilo, Alexsandro, Wesley e Léo Pereira.

Nada contra, mas a Seleção exige responsabilidade maior. Ao carimbar a presença de Danilo na lista definitiva, Ancelotti fecha as portas para outros jogadores que atuam por ali. No Flamengo, Danilo é reserva do uruguaio Varela, o que dá bem a medida do descalabro da escolha.

Nos últimos anos, Danilo e Alexsandro eram figurinhas carimbadas nas críticas endereçadas à Seleção Brasileira, onde nunca foram titulares indiscutíveis. De uma hora para outra, aos 34 anos, o zagueiro pelo lado direito ressurge como uma das certezas de Ancelotti. Complicado.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 31)

Fonte: Blog do Gerson Nogueira

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