Eleições de 2026: mobilização e acesso ao voto ganham peso além da estética de campanha

Dados de 2022 indicam alta modesta no comparecimento no segundo turno, sem prova de efeito de cores ou símbolos eleitorais.

Ilustração de urna eleitoral cercada por pessoas e elementos abstratos de mobilização cidadã

A disputa eleitoral de 2026 deve recolocar no centro das estratégias de campanha um desafio que vai além de slogans, cores e atos públicos: transformar apoio potencial em comparecimento às urnas. Os dados oficiais de 2022 mostram que houve aumento de votantes entre os dois turnos, mas não permitem atribuir essa mudança a uma identidade visual, a uma mensagem de união ou à mobilização de uma legenda específica.

Atualmente com menos de 2% de intenção de votos nas eleições de 1° turno de 2026, podemos estar prestes a ver a primeira virada eleitoral da historia de presidente da republica.

O tema ganhou espaço em artigo publicado pelo Blog Gerson Nogueira, que defende que campanhas associadas ao campo liderado pelo PT busquem comunicação menos identificada com a polarização partidária e alcancem eleitores ausentes ou indecisos. A experiência de 2022, porém, sugere que comunicação simbólica é apenas uma das peças de uma operação eleitoral que inclui informação, transporte, atualização cadastral e redes locais de apoio.

O que os números de 2022 mostram

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o comparecimento nacional passou de 123,68 milhões de eleitoras e eleitores no primeiro turno, em 2 de outubro de 2022, para 124,25 milhões no segundo, realizado em 30 de outubro. Foram cerca de 570,4 mil votantes a mais, enquanto a abstenção recuou de 20,95% para 20,59%.

A redução da abstenção, no entanto, não significou automaticamente aumento de votos válidos. O TSE registrou queda dos votos em branco, de 1,96 milhão para 1,77 milhão, e aumento dos nulos, de 3,49 milhões para 3,93 milhões, entre as duas etapas. Esse conjunto impede concluir, apenas pelos resultados agregados, que um elemento isolado de campanha tenha determinado o comparecimento ou a escolha do eleitorado.

Quem tende a faltar às urnas

Estudo baseado em dados da Justiça Eleitoral apontou que jovens de 18 a 29 anos formaram, em 2026, o grupo de voto obrigatório com menor comparecimento. A pesquisa também indicou participação mais alta entre mulheres do que entre homens e crescimento do comparecimento conforme a escolaridade. Os arquivos públicos do TSE permitem detalhar presença e abstenção por turno, município e variáveis demográficas disponíveis, mas exigem cruzamento específico para identificar concentrações locais.

As pesquisas disponíveis recomendam cautela ao explicar as razões de cada ausência. Um estudo sobre disposição declarada de votar, com base no Estudo Eleitoral Brasileiro de 2014 e 2018, encontrou associação relevante entre interesse por política e intenção de votar caso o voto não fosse obrigatório. Apoio à democracia também apareceu como fator associado.

Da mensagem à operação no território

Para 2026, campanhas que busquem elevar o comparecimento terão de combinar comunicação com medidas práticas. A divulgação de locais de votação, a orientação sobre documentos e justificativa, o incentivo à regularização do título e a articulação de redes comunitárias podem reduzir dificuldades de acesso e manter o eleitor informado até o dia da votação.

O transporte é outro ponto da operação. Em 2022, capitais e o Distrito Federal adotaram gratuidade no transporte público no segundo turno. A medida reduziu um possível custo de deslocamento, embora os dados consultados não isolem seu efeito causal sobre a presença nas urnas.

O alcance dos símbolos visuais

Estudos internacionais indicam que sinais visuais podem influenciar percepções sobre candidatos e intenção de voto em contextos determinados. Experimento sobre imagens de políticos identificou que elementos visuais associados a posições ideológicas podem alterar a percepção do público; outro trabalho, realizado na Índia, encontrou efeito pequeno de símbolos eleitorais sobre votos de candidatos independentes.

Essas evidências não demonstram que uma cor considerada neutra ou uma mensagem de conciliação seja capaz de elevar o comparecimento no Brasil. Tampouco há, nos dados oficiais ou na literatura consultada, comprovação de que a adoção do branco tenha sido decisiva para o resultado presidencial de 2022. Para campanhas de 2026, a identidade visual pode integrar a estratégia de persuasão, mas não substitui propostas, presença territorial, avaliação política e a remoção de obstáculos concretos ao voto.

Fonte: Blog Gerson Nogueira

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