Pesquisas do ITV expõem desafios para levar bioeconomia amazônica ao mercado

Projetos do ITV no Pará estudam cacau, fermentação e restauração, enquanto crédito, logística e regras de benefícios desafiam a bioeconomia.

Ilustração de cadeia produtiva da bioeconomia amazônica, do cultivo ao processamento

O Instituto Tecnológico Vale (ITV), mantido pela Vale, desenvolve no Pará pesquisas sobre polinização, fermentação, socioeconomia do cacau e restauração de propriedades rurais que buscam apoiar negócios ligados à biodiversidade amazônica. A passagem desses estudos para cooperativas, pequenas indústrias e consumidores, porém, depende de condições que vão além dos resultados de laboratório e campo.

O projeto Negócios Socioambientais, previsto para o período de março de 2025 a março de 2029, atua nos municípios de Medicilândia, Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu e Tucumã. A iniciativa sucede o projeto Cacau: Polinização, Fermentação e Bioeconomia, desenvolvido entre 2020 e 2024. Entre as frentes já descritas pelo instituto está o estudo da fermentação do tucupi, que emprega técnicas para identificar microrganismos e suas funções no processo.

Da pesquisa à cadeia produtiva

O avanço científico não assegura, por si só, distribuição de renda ou viabilidade comercial para quem produz e extrai na Amazônia. Diagnóstico do Instituto Escolhas sobre cadeias como açaí, andiroba, cacau, castanha e pirarucu apontou entraves recorrentes de regularização, crédito, gestão, certificação, acesso a mercados, pesquisa e logística. No caso da castanha, o levantamento cita informalidade, distâncias, dificuldade de negociação direta com a indústria, necessidade de beneficiamento e controle de qualidade.

A participação de comunidades e produtores nos projetos também exige transparência sobre regras, resultados e benefícios. Quando uma pesquisa acessa patrimônio genético ou conhecimento tradicional associado, a Lei nº 13.123/2015 prevê exigências como consentimento prévio informado para conhecimento tradicional de origem identificável e, em determinadas situações de exploração econômica, notificação e repartição justa e equitativa de benefícios. Não foram detalhados os procedimentos adotados nos projetos citados, nem métricas públicas que permitam aferir conservação, renda líquida ou repartição de valor.

Para mais informações, siga o Diário do Norte.

A seguir leia