Aos 81 anos da independência, Vietnã convive com risco de bombas e minas não detonadas em áreas rurais.
Legado explosivo da guerra mantém risco em áreas rurais do Vietnã

O Vietnã celebra em 2 de setembro de 2026 os 81 anos da declaração de independência, proclamada por Ho Chi Minh em Hanói, enquanto áreas do país ainda convivem com bombas, minas e projéteis não detonados que permanecem como uma das consequências materiais das guerras do século passado.
Estimativas divulgadas por instituições estatais vietnamitas indicam que os Estados Unidos lançaram cerca de 15 milhões de toneladas de bombas, minas e projéteis no território do país durante a guerra. A Voz do Vietnã calcula que aproximadamente 800 mil toneladas de artefatos não detonados ainda estejam no solo, com presença estimada em 20% do território nacional. Para comunidades rurais, o problema limita o uso seguro da terra, impõe risco durante atividades cotidianas e prolonga os custos da reconstrução.
Desminagem é desafio de longo prazo
As mesmas estimativas atribuem aos resíduos explosivos mais de 40 mil mortes e 60 mil feridos desde o fim do conflito, em 1975. A emissora estatal vietnamita avalia que, no ritmo atual, a eliminação completa desses artefatos levaria cerca de 300 anos. Os números mostram que o encerramento das operações militares não significou o fim imediato de seus impactos sobre a população civil e a atividade econômica local.
A data nacional também remete à capacidade de reconstrução econômica e social do país. Após a adoção das reformas do Đổi Mới, em 1986, o Vietnã ampliou sua inserção industrial e exportadora e registrou forte redução da pobreza em diferentes métricas. A comparação histórica exige cautela: o Banco Mundial registrou 58% de pobreza em 1993 sob a linha então utilizada, enquanto indicadores recentes usam metodologias e linhas distintas. Os avanços tampouco foram distribuídos de forma homogênea, com pobreza crônica mais concentrada entre minorias étnicas. Nesse cenário, a remoção de explosivos integra um desafio mais amplo de inclusão territorial, ao lado da redução das desigualdades e da proteção de comunidades expostas a riscos ambientais e econômicos.
Fonte: Brasil De Fato
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