Fraudes digitais crescem, mas não há indicador nacional que isole golpes com deepfake. Entenda a cadeia de dados e como contestar Pix.
Deepfake amplia risco, mas fraude depende de falhas na cadeia de dados

Ferramentas de inteligência artificial podem tornar mais convincente a falsificação de voz, imagem e vídeo em abordagens criminosas, mas os dados públicos disponíveis não demonstram que os deepfakes sejam a causa principal do crescimento das fraudes no Brasil. O cenário conhecido é de alta do estelionato eletrônico e de golpes que exploram dados expostos, contatos telefônicos, acesso indevido a aparelhos e persuasão das vítimas.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou cerca de 281 mil estelionatos por meio eletrônico em 2024, aumento de 17% em relação a 2023. A estatística não separa ocorrências que envolvam inteligência artificial ou conteúdo sintético. Também não há, nas bases públicas nacionais consultadas, um indicador que permita afirmar que o roubo de senhas tenha sido substituído de forma predominante pela clonagem de identidades.
O golpe costuma começar antes da imagem ou da voz falsa
Uma gravação manipulada ou um perfil com aparência legítima pode reforçar a pressão sobre a pessoa abordada, mas a fraude financeira tende a depender de outros elos: informações pessoais disponíveis ou vazadas, obtenção de códigos de segurança, controle de contas ou celulares e transações que escapem ao perfil usual do cliente. O Banco Central cita engenharia social, roubo ou furto de telefones e acessos indevidos entre as causas de movimentações financeiras ilegítimas.
Quem identificar uma transação não reconhecida deve comunicar o banco sem demora e, em caso de Pix, contestar a operação no aplicativo para acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). A restituição, porém, depende de condições como a existência de saldo na conta que recebeu o valor; o sistema pode acompanhar a conta para devoluções parciais por até 90 dias. Preservar comprovantes, capturas de tela, números usados no contato, mensagens e registros de atendimento ajuda a documentar o caso. Para dificuldades de resposta ou ressarcimento, o Consumidor.gov.br pode ser uma via complementar, sem substituir o registro policial, a comunicação à instituição financeira ou outras medidas cabíveis.
Fonte: Blog Gerson Nogueira
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