Encontro em Washington tratará de financiamento para reconstrução e força internacional para estabilização da Palestina
‘Conselho da Paz’ de Trump se reúne pela primeira vez nesta quinta-feira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai presidir a primeira reunião do “Conselho da Paz”, criado por ele para “resolver conflitos em todo o mundo”, conforme ele postou na rede Truth Social. Em torno de 20 países devem participar como membros do grupo e outros apenas como observadores. O encontro está previsto para acontecer no Instituto da Paz dos EUA.
A proposta desta primeira reunião é oficializar cerca de 5 bilhões de dólares em doações, além de dar início ao planejamento da reconstrução e da força internacional para estabilização da Palestina.
O Conselho foi oficializado por Trump em 22 de janeiro deste ano. Inicialmente, a proposta era supervisionar a reconstrução e a desmilitarização de Gaza, mas logo o presidente estadunidense ampliou o escopo da proposta para uma atuação em qualquer conflito no mundo. A ideia é também rivalizar com a Organização das Nações Unidas (ONU), da qual Trump esvaziou o financiamento e descredibiliza a atuação de forma recorrente.
Visto com desconfiança por muitos países, pro ter uma proposta mais próxima de ingerência em questões internas de outras nações do que realmente como um grupo para promover a paz, o Conselho recebeu poucas adesões oficiais, dentre os 55 países convidados inicialmente. Além disso, Trump cobra uma “taxa” de 1 bilhão de dólares pela participação no grupo.
A reconstrução dos territórios palestinos devastados pelos bombardeios israelenses em Gaza, e pelas demolições e incursões na Cisjordânia, é uma tarefa estimada em cerca de 70 bilhões de dólares pela ONU.
Argentina, Paraguai, Armênia, Hungria, Egito, Arábia Saudita, Israel, Marrocos, Uzbequistão, Albânia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Bulgária, Cazaquistão, Paquistão, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Turquia, Indonésia, Jordânia e Kuwait confirmaram presença, mas a lista completa ainda é incerta. Javier Milei, presidente da Argentina, e Recep Erdogan, da Turquia, confirmaram presença na reunião.
A presidente da Comissão Européia, Ursula von der Leyen, recusou o convite para a reunião desta quinta-feira e a UE vai enviar observadores para a reunião. Itália, Chipre, Grécia e Romênia também vão enviar representantes como observadores.
França, Canadá, Eslovênia, Espanha, Noruega, Nova Zelândia e Suécia negaram o convite. O Papa Leão XVI também recusou o convite para o Vaticano ocupar uma vaga no conselho, enfatizando que as situações de crise devem ser resolvidas pelas Nações Unidas.
O Brasil foi um dos países que não aderiu, mas ainda não rejeitou formalmente a ideia. Assim como o Reino Unido, a Itália, a Alemanha, a Austrália, a China e a Rússia.
Em conversa no final de janeiro, Lula disse Trump que o conselho devia se limitar à questão em Gaza, conforme resolução aprovada pela Organização das Nações Unidas, evitando, portanto, a criação de uma espécie de uma “ONU Paralela”; e segundo, que o órgão contasse com uma representação palestina, algo que já não vai ocorrer nesta primeira reunião.
Fonte: Brasil de Fato / Editado por: Rodrigo Gomes





