Celso Sabino dialoga com a Rede Sustentabilidade mirando o Senado

Sem partido e se movendo para se viabilizar na disputa ao Senado, o diálogo com a Rede Sustentabilidade mostra que Sabino já escolheu um campo politico para se consolidar.

Bem posicionado nas pesquisas para uma das vagas ao Senado, o deputado federal e ex-ministro do Turismo Celso Sabino avança em diálogos políticos visando viabilizar sua candidatura. Seu comitê político, instalado no imóvel que antes sediava o União Brasil na praça da Trindade, mantém agendas diárias. O deputado tem privilegiado encontros com prefeitos, mas dedica parte do tempo a estudar o cenário partidário.

À frente da organização está Cilene Sabino, irmã do deputado. Um assessor revela que o diálogo com a Rede Sustentabilidade foi iniciativa dela. “Cilene sabe que a primeira condição para a filiação do deputado é a independência do partido. O que aconteceu com o PDT e com o PT ficou de lição”, aponta.

O movimento responde às turbulências recentes enfrentadas por Sabino, expulso do União Brasil em dezembro de 2025 por se recusar a deixar o governo Lula. Negociações com PT e PDT também fracassaram, com próceres dissuadidos pelo próprio governador Helder Barbalho, que controla alianças partidárias no estado.

Agora sem partido, Sabino busca abrigo seguro para consolidar influência como aliado de Lula e ampliar seu grupo político, que inclui a candidatura de sua esposa, Érika Sabino, à Câmara. Sua motivação visa contrabalançar a hegemonia de Helder, que planeja disputar uma vaga senatorial e levar o deputado Chicão Melo na outra.

“Sabino é aliado de Helder, não seu opositor”, analisa o sociólogo Sérgio dos Santos. “Apoiou a candidatura de Igor Normando à prefeitura sem impor condições, mas é tratado como inimigo por ousar disputar numa raia que o governador decretou que está sem espaço. O crime, nesse caso, é de desobediência.”

Para o consultor, a Rede Sustentabilidade poderia ser o caminho do meio. “A Rede está no campo progressista, mas não é sectária. Faz alianças com métodos diferentes de legendas como o PSOL. Tem uma imagem menos marcada pelo sectarismo e por posições extremas”, conclui.

Outros analistas consultados pela coluna destacam que a Rede Sustentabilidade seria um espaço confortável para o deputado. “A Rede não é oposição ao Helder nem a Daniel. Apenas está se construindo. Seu vereador na capital está com Igor Normando, mas há municípios onde o partido está com Daniel. Não existe centralismo. A linha de corte é o bolsonarismo”, afirma Luiz Paulo Nogueira, filiado ao partido e ativista ambiental em Ananindeua.

Na análise de Jacinto Neto, consultor político, a Rede, com cinco vereadores eleitos mas sem grandes lideranças locais com expressividade eleitoral de Sabino, tem na aproximação uma chance de ouro. A legenda seria “o partido perfeito para pavimentar sua corrida ao Senado em 2026: uma sigla alinhada às bandeiras amazônicas, ecoando o sucesso da COP30 em Belém, com Lula ao lado, e que oferece plataforma sólida para criar alternativa na disputa, desafiando suavemente o clã Barbalho sem perder o apoio federal”.

O diálogo na tarde de sábado mostrou uma Rede aberta ao acolhimento do deputado e de sua esposa. “Nosso maior esforço em 2026 é ampliar a votação para a câmara”, afirma Elson Lourinho, porta-voz estadual e membro da executiva nacional. Ele confirma que “o partido está armando nominatas fortes no Pará e quer disputar seriamente mandatos na câmara federal e na assembleia legislativa. Foi por isso que empreendemos movimentos francos de convidar lideranças fortes”.

Lourinho confirma convites a Úrsula Vidal, secretária de cultura que teve 600 mil votos ao senado em 2018; Puyr Tembé, secretária de Povos Indígenas; e Lívia Noronha, secretária de direitos humanos de Ananindeua. “O deputado Celso Sabino é mais uma dessas lideranças expressivas com quem estamos dialogando e que temos interesse em atrair”, conclui.

Andrea Amador, porta-voz municipal de Belém da Rede Sustentabilidade, presente ao encontro, afirma que o partido vive seu melhor momento no Pará: “Estamos em 43 municípios e ampliamos em 300% o número de filiados nos últimos três anos. Na janela partidária, devemos sair de 5 para 10 vereadores. Nacionalmente vivemos momento importante, de consolidação da deputada Heloísa Helena como principal liderança, mantendo nossa referência na companheira Marina Silva, ministra do meio ambiente. É com esse espírito de crescimento que abrimos o diálogo com o deputado Celso”.

O papel de Sabino na COP30, realizada em Belém em 2025, elevou seu perfil nacional. Como ministro, coordenou a recepção de 150 delegações e promoveu o turismo sustentável na Amazônia. Essa visibilidade fortaleceu suas relações com Lula, que o manteve no cargo até o fim de 2025, destacando-o como ponte entre o governo federal e o Norte em pautas ambientais.

Pesquisas recentes apontam Helder na liderança com 50,8% das intenções para o Senado, seguido por Éder Mauro (32,2%) e Sabino (22,2%). Em outro recorte, Helder sobe para 55,9%, com Sabino em segundo (31,4%). A Doxa Pesquisa de dezembro reforça o crescimento de Sabino e indica volatilidade favorável: o ex-ministro ganha terreno em cenários sem Mauro, sugerindo potencial para polarizar com o governador.

A aproximação com a Rede Sustentabilidade, legenda focada em pautas ambientais alinhadas à sua atuação na COP30, pode atrair eleitores progressistas e romper a bolha governista. A recente trajetória de Sabino torna essa escolha até mesmo natural.

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